Campos Salles Fotografia

Fotografia e Birding

REVIEW: “A Field Guide to the Birds of Brazil”

Posted by campossallesfotografia em 27/01/2010

 

Essa semana chegou a minha cópia do novo guia de aves do Brasil, o “Field Guide to the Birds of Brazil”, de Ber van Perlo, holandês, autor de vários outros guias de aves, principalmente na África. A primeira impressão é de que, apesar de relativamente leve, é um livro um pouco grande pra levar a campo confortavelmente, mede 16 x 24 x 2 cm. Mas dá pra levar em uma pochete grande ou mochila. Não dá pra esperar um livro pequeno com todas as mais de 1.800 aves do Brasil em 187 pranchas, mas daria pra esse livro ser menor e realmente um “field guide” como o próprio título diz. Mais tarde explico por que. É escrito inteiramente em inglês, com apenas o nome das espécies em português (além, é claro, do nome em inglês e do científico), o que pode ser um problema pra quem não lê inglês.

A introdução fala superficialmente dos tipos de clima do Brasil, vegetação, geologia, etc. Em seguida ele explica a “sistemática” do livro. Há também uma introdução de todas as famílias com um texto bem básico mas que pode auxiliar um pouco na identificação, por exemplo:

MOTMOTS (73, TA) Medium-sized, sluggish, bright-colored birds with a strong bill and a long tail, that often ends in raquets. May perch motionless for long periods in the forest subcanopy.

Esse é um dos textos mais curtos, as famílias mais numerosas possuem textos maiores. Note que ele fala o básico, que os “motmots” são aves de tamanho médio, preguiçosas, coloridas, etc. Assim como a maioria dos guias em inglês, não é mencionado o nome da família, no caso Momotidae. O número 73 refere-se a um pequeno desenho ao lado mostrando um exemplo de espécie da família, e também é o número da prancha da família. O TA indica que só ocorrem na América Tropical.

Agora vamos ao que interessa: as ilustrações nas pranchas são simples mas eficientes. O que quero dizer é que defitinitivamente não são obras de arte, não são bem detalhadas (não esperer ver detalhes mínimo na plumagem ou complexos padrões de luz e sombra), mas são muito eficientes na identificação da maioria das espécies pois as partes importantes estão ilustradas corretamente, bem como a posição típica de cada espécie. Nos casos de dimorfismo sexual as fêmeas estão ilustradas. Também estão ilustradas algumas das principais subespécies com diferenças físicas relativamente grandes, mas não todas. Em muitos casos também estão ilustradas as espécies em vôo, por exemplo todas as aves marinhas (incluindo maçaricos e afins), mergulhões, garças e socós, patos e marrecas, urubus, gaviões, falcões, carquejas, pombas, pscitacídeos, bacuraus, etc. E, novamente, são ilustrações eficientes, com o formato e proporção corretos, coloração, padrões de plumagem, etc.

A sequência taxonômica das famílias é meio confusa, no início vc se perde. Por exemplo, estamos acostumados a ter os tinamídeos logo no início do livro, na primeira página. Nesse guia porém os tinamídeos só estão na prancha 26, o livro começa com os albatrozes. Os cotingídeos vem entre os tapaculos e os piprídeos, e só depois, mais pra frente, vem os tiranídeos. Ou seja, de início é preciso se adaptar a essa sequencia diferente. De acordo com o autor ele colocou as famílias de “aves parecidas” próximas entre si.

As ilustrações todas estão nas páginas da direita. Na esquerda estão os mapas de ocorrência e informações de cada espécie. Vou pegar uma de exemplo:

73.3 RUFOUS-CAPPED MOTMOT (Juruva-verde) Baryphthengus ruficapillus L 15.7 in./40 cm (incl. tail). Note distinctive green head with rufous cap and lack of racquets. Humid forest, gallery forest, dense woodland. Song: short, muffled trill, like “urrrrc.”

O nº 73 se refere ao nº da prancha e .3 à espécie. Logo outras espécies nessa prancha (que também inclui os martim-pescadores) são 73.4, 73.2, etc. Logo após há o nome em português e o científico de acordo com o CBRO e SACC, respectivamente. O L refere-se a lenght (comprimento), mostrado em polegadas e cm, incluindo a cauda. Aí ele fala pra notar a cabeça verde com o chapéu rufo e a falta de “raquetes” na ponta da cauda, que são itens importantes na identificação. Em seguida fala um pouco do hábitat, em muitos casos ele também fala sobre a altitude preferida da espécie, principalmente espécies que são mais ou menos restritas a uma certa altitude. Depois vem a descrição do canto… essa parte é sempre difícil pois cada pessoa “traduz” isso de uma forma… principalmente se considerarmos que a transcrição é baseada na lingua inglesa, em portugues muitas vezes ela seria diferente. Mas mesmo assim é útil pra lembrar do som, se vc já o conhece. Em casos de espécies mais crípticas, de difícil separação, o texto é mais detalhado:

134.10 MOUSE-COLORED TYRANNULET (Bagageiro) Phaeomyias murina L 4.7 in./12 cm. Inconspicuous. Resembles smaller 134,3a, but lacks crest; eye-brow more prominent (cf. 142.10) and upperparts browner. Pale base to lower mandible, unlike 133.4 and 137.5. Arid scrub, cerrado, woodland, riverine belts, suburbs, mangrove. Song: varied; e.g., very high, strident, sweeping “tuWEEt” (“WEEt” often without “tu”; ascending several pitches). 

Aqui ele diz que a espécie se parece com o Camptostoma obsoletum (o “a” refer-se às spp. nominal e cinerascens), mas sem o topete; sombrancelhas mais fortes (compare com Lathrotriccus euleri) e partes de cima mais marrom. Base do bico de baixo pálida, ao contrário de Suiriri suiriri e Sublegatus modestus. Ou seja, ele cobre as principais diferenças entre as espécies mais parecidas de forma bem direta.

Amostra de página, clique para ver maior.

Os mapas mostram a área de ocorrência da espécie no Brasil em cores diferentes. Verde significa que ela é residente, mas há 3 tonalidades de verdes que indicam o grau de possibilidade de encontrar a espécies no habitat adequado. Verde escuro é para espécies comuns, com chance de 60 a 100%. Verde médio chance de 10 a 60% e verde claro chance “muito pequena”, não especificada em porcentagem. Claro que isso é meio subjetivo, mas ajuda bastante. Há também cores diferentes, tons de vermelho indicam migrantes de verão (que vem do norte), e tons azuis indicam migrantes de inverno (que vem do sul), e ambos tem a mesma escala de mais escuro pra mais claro. As cores podem ser usadas em conjunto, por exemplo no mapa do Juruva-verde há uma área verde médio e uma área verde claro mais ao norte, onde a espécie pode ser registrada, mas deve ser bem mais rara. Em outros casos há também uma combinação de verde (residente), com migrantes e etc. Achei isso bem legal. Há ainda um tipo de estrela pra populações isoladas, uma cruz para vagantes e uma interrogação para ocorrências questionáveis. Um exemplo da utilidade desse esquema de misturar cores no mapa é com o Tachuris rubrigastra. No mapa dele aparece verde médio na porção sul do RS e azul médio até o sul de SP. Ou seja, a espécie é residente no sul do RS e migratória nos meses de inverno nas outras regiões.

Como é um guia novo, ele está atualizado com as descobertas recentes. Por exemplo há o flamingo-de-puna, encontrado recentemente (acho que ano passado) no Acre e o bicudinho-do-brejo-paulista, espécie que ainda nem foi descrita (não tem nome científico), mas com certeza vai ter em breve, então ele já incluiu no livro, o que é muito bom. Uma curiosidade é que, assim como em outros livros, há as espécies exóticas introduzidas, como bico-de-lacre e pardal, mas o autor vai além e inclui tbm galo e galinha-d’angola… achei isso engraçado, embora totalmente inútil, hehe..

Mas por que disse no começo que o livro poderia ser menor? Simplesmente pq há muito espaço em branco! Por exemplo quase todas as pranchas tem bastante espaço sobrando, daria pra apertar um pouco as ilustrações tranquilamente sem ter que diminuir o tamanho. Na parte dos textos também, muitas páginas tem espaço de sobra, ou seja, os textos poderia ser mais detalhados. Ou isso, ou poderia diminuir o tamanho do livro! Será que já planejam lançar no futuro uma segunda versão mais compacta, depois que todo mundo comprou a 1ª? Não duvido.

Embora não seja ainda o guia dos sonhos do observador de aves no Brasil, é sem dúvida o melhor já produzido até hoje. Recomendo bastante!

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4 Respostas to “REVIEW: “A Field Guide to the Birds of Brazil””

  1. Otávio, gostei do review e do livro, sabe se tem algum lugar ou livraria que o venda no Brasil?

  2. Luiz, tenho quase certeza que não. Só nos EUA mesmo. Tem na Amazon, sai 28 dólares mais envio, não fica muito caro não.
    abs

  3. Eric said

    O meu esta por chegar.. parece que vou gostar também…

  4. Obrigado, nunca comprei na Amazon. Vou tentar.

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