Campos Salles Fotografia

Fotografia e Birding

Sons parecidos e sonogramas

Posted by campossallesfotografia em 18/01/2010

 

Em fotografia de aves, principalmente em florestas, é muito importante conhecer os diferentes cantos das inúmeras espécies que ocorrem no local, principalmente se você estiver usando playback, já que na maioria das vezes as aves são localizadas inicialmente pelo vocalização, e só depois ocorre a visualização. O problema é que em florestas muitas aves resolveram o problema de reverberação do som com a mesma solução: notas seguidas repetidas, variando apenas um pouco as frases, que podem ser ascendentes ou descendentes, ou uma mistura. O resultado é que há uma infinidade de vocalizações muito parecidas entre si. Uma boa forma de estudar essas diferenças é através do sonograma, que nada mais é que o gráfico das composições de frequencia, timbre e amplitude de uma gravação.

Numa palestra do Jemery Minns  no último AVISTAR ele disse que acha mais fácil associar o som à espécie se temos a memória visual desse som, ou seja, a memória do desenho do sonograma, já que somos uma espécie amplamente visual. A audição não é o mais forte nos humanos. Eu concordo plenamente com ele, e, após começar a usar essa técnica, tenho tido bem mais sucesso na identificação dos sons, que sempre foi uma dificuldade pra mim. Veja esse exemplo:

Canto funcional do papo-branco (Biatas nigropectus).

Clique aqui para ouvir esse canto em uma outra janela. Repare como o canto forma uma curva, inicialmente subindo um pouco e depois descendo levemente. Há também um chamado mais baixo que precede a frase. Agora compare com esse som abaixo, de uma espécie da mesma família que vive no mesmo ambiente na Mata Atlântica do S e SE:

Canto funcional do olho-de-fogo-do-sul (Pyriglena leucoptera)

Clique aqui para ouvir o canto. Nesse, apesar de praticamente o mesmo número de notas, repare como ele é sempre descendente, não há curva nenhuma. Ele começa alto e acaba em timbre mais baixo, em uma linha reta descendente. E também não há aquele chamado baixinho no início da frase, ela começa de forma subta. Essas são as diferença de canto entre as duas espécies, mais fáceis de perceber ouvindo o som e visualizando o sonograma. Diferenças sutis pra quem não está acostumado, mas se você associar o sonograma à espécie, a distinção em campo se torna mais fácil. Outra dica, normalmente não é bom diferenciar as espécies com cantos similares pelo número de notas, velocidade ou espaço entre elas, pois, dependendo do grau de excitação da ave, esses fatores podem variar.

Fêmea do olho-de-fogo-do-sul (Pyriglena leucoptera)

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