Muitos fotógrafos têm essa dúvida, já que a abertura da lente altera tanto a quantidade de luz entrando quanto a profundidade de campo. Na fotografia de aves geralmente prefere-se fotos aonde a ave esteja em foco e o fundo desfocado. Claro que existem muitas outras possibilidades, mas essa é um “fórmula” básica e de sucesso. Com isso em mente fotógrafos iniciantes muitas vezes usam a lente na abertura máxima sempre, já que assim vamos conseguir o fundo desfocado e de quebra a maior velocidade de obturador possível pra luz no momento (pra um valor de ISO = x). Simples né?

Nem tanto……….. EU NUNCA USO A LENTE NA ABERTURA MÁXIMA, por duas razões:

- a abertura máxima nunca é o ponto mais nítido da lente. A diferença chega a ser bem considerável, mesmo nas lentes fixas profissionais, e se vc espera um resultado profissional, isso faz bastante diferença. Então mesmo quando a luz ambiente é bem fraca eu sempre uso a lente um pouco fechada, nem que seja 2/3 de stop. Eu prefiro aumentar o ISO do que aumentar anida mais a abertura (aqui vale lembrar que quanto maior a abertura, menor o numero f, e vice-versa). O pico de nitidez normalmente é de 2 a 4 stops fechada nas teleobjetivas, mas isso varia. Por exemplo uma lente 600mm f/4 teria sua melhor nitidez em f/8, f/11, por aí..

- a profundidade de campo com a abertura no máximo é muito pequena, principalmente com lentes de distancia focal maior e/ou com o a ave perto da lente. O plano focal chega a ser tão estreito que parece que a foto está fora de foco. Ou então vc foca no olho e o bico fica fora de foco… não é legal, além de ficar quase impossível conseguir uma foco boa, bem nítida. O ideal é pegar a ave inteira em foco. Claro que pra tudo existem excessões, mas de uma forma geral é isso aí. 

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Nessa foto acima, de um dituí (Drymophila ferruginea), eu fui obrigado a usar uma abertura um pouco maior que eu queria, pois a luz ambiente era fraca e eu não queria usar um ISO mais alto. Repare como a cauda do pássaro está fora de foco. Foi fotografado com lente 600mm, 1/90 em f/5.6, ISO 400. O ideal aí seria f/7.1 mais ou menos, mas aí a velocidade iria cair mais ainda e como essa ave não pára quieta eu não quis arriscar. Eu poderia ter usado até f/4 pra aumentar a velocidade, mas se fizesse isso certamente nem a base da asa da ave estaria em foco. Você tem que achar um meio-termo aceitável.

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Já nessa foto noturna de uma corujinha-do-mato (Megascops choliba) eu não precisava me preocupar com a velocidade, já que estava usando flashes pra iluminar a cena e portanto poderia usar na velocidade máxima de sincronismo. Fotografei com lente 300mm, 1/250 e, f/11, ISO 320. O foco está no olho da ave, como sempre, mas veja como o plano focal vai pelo menos até a ponta do rabo da coruja. Se tivesse usado uma abertura maior, digamos f/8, a ponta do rabo talvez ficaria fora de foco.

Ou seja, na hora de considerar que abertura usar, vc tem que levar em conta principalmente esses 3 fatores:

- a velocidade de obturador certa pro assunto. Aves que permanecem estáticas aceitam uma velocidade mais lenta, desde que vc saiba a técnica certa pra evitar que a foto toda fique tremida, mas aí é outro assunto. 

- a “tridimensionalidade” da ave. Depende da sua posição, se ela está de lado mesmo uma abertura grande vai pegar a ave toda em foco, caso contrário vc vai precisar de mais profundidade de campo.

- a distância focal e distância do assunto. Quanto mais perto, menor é o plano focal.

 

A abertura é sem dúvida a variável mais importante na fotografia. Estude ela e melhore suas fotos!

Os cantos das aves fazem parte da paisagem sonora de muitos locais, e certamente completam a experiência visual. Como não ficar surpreso com o chamado metálico da araponga ecoando nos gorjões da Serra do Mar, ou ainda o canto fantasmagórico de um inhambu nos fundões da Amazônia. Mas não é preciso ir longe para apreciar os cantos, no nosso quintal mesmo, dependendo da época do ano, podemos acordar com os belos cantos do sabiá ou da corruíra.

Separei abaixo alguns cantos interessantes ou bonitos, todos estão arquivados no site www.xeno-canto.org :

Inhambu-anhangá (Crypturellus variegatus) - gravado por Todd Mark no Peru. Esse canto eu escuto quando estou acampando na Amazônia. Como a espécie costuma cantar no meio da madrugada, dá até um frio na espinha ouvindo esse canto ecoando lá de dentro da floresta.

Garça-branca-pequena (Egretta thula) - gravado por Chris Benesh nos EUA. Esse som quem me mostrou foi o Guilherme… o que é isso?? Parece mais a invasão dos marcianos à Terra! Não é difícil imaginar alguém mais desinformado ouvindo esse som e pronto, nasceu o novo ET de Varginha!

Murucututu (Pulsatrix perspicillata) - gravado por Sjoerd Mayer na Bolívia.  Impossível não se impressionar com o canto dessa grande coruja. O nome é onomatopéico… murucututu-murucutututututu…Na Amazônia dizem que se ela cantar ao lado de sua casa é sinal de que haverá morte na família…. macabro!!

Mãe-da-lua-gigante (Nyctibius grandis) - gravado por Sebastian Herzog na Bolívia. É outro ET, é uma invasão!

Urutau (Nyctibius griseus) - gravado por Marcos Melo em São Paulo. Esse eu escuto quase toda noite na primavera e começo do verão. É um canto bem típico de noites quentes e calmas.

Tucano-grande-de-papo-branco (Ramphastos tucanus cuvieri) - gravado por Don Jones no Equador. Essa é a voz do norte da Amazônia. O canto desse tucano pode ser ouvido durante a maior parte do dia próximo a  rios.

Cricrió (Lipaugus vociferans) - gravado por Bob Planqué no Peru. Outro canto ouvido com frequencia nas matas de terra firme. Não tem nem o que falar, é simplesmente espetacular. Um dos meus favoritos.

Saudade-assobiador (Tijuca atra) - gravado por Nick Athanas em Itatiaia. O canto triste desse endêmico dos picos da Serra da Mantiqueira já impressionou muita gente. 

Araponga (Procnias nudicollis) - gravado por Nick Athanas em Santa Catarina. Parece impossível que um canto metálico e alto como esse possa ser produzido por uma ave… mas é!

Munchique Wood Wren (Henicorhina negreti) - gravado por Andrew Spencer na Colombia. Que canto é esse !?!? Lindo demais… aliás como muitos membros dessa família (a mesma da corruíra). Essa espécie não existe no Brasil, é endêmica de uma região pequena da Colômbia.

Uirapuru (Cyphorhinus arada) - gravado por Nick Athanas no Equador. Um dos cantos mais belos de todas as aves. Diz a lenda que quando o uirapuru canta, a floresta pára pra ouvir.

Japu-verde (Psarocolius viridis) - gravado por Andrew Spencer no Equador. Outro canto bem tropical, típico da Amazônia.

Garibaldi (Chrysomus ruficapillus) - gravado por Bennett Hennessey na Bolívia. Se estiver curioso em aliar o som à imagem, esse é o canto do pássaro na foto abaixo.

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Pra ter sucesso em uma carreira, seja ela qual for, você precisa primeiro ser bom e dedicado no que faz, mas também é muito importante fazer bons contatos, ter boas amizades. Isso é especialmente importante na fotografia de vida selvagem, pois você não pode estar em todos os lugares a todo momento, e assim, sozinho, com certeza muitas oportunidades seriam perdidas. As boas amizades multiplicam as oportunidades de fotografia.

Essa semana meu amigo Guilherme Ortiz me ligou lá pelo meio-dia e foi bem direto: ” Octavio, você não vai acreditar… encontrei um ninho de coruja-orelhuda, vamos lá hoje a tarde.” Fiquei animado com a notícia, afinal não é todo dia que se encontra uma coruja-orelhuda (Rhinoptynx clamator), principalmente um ninho ativo! Pois bem, marcamos no local e umas duas horas depois já estávamos lá. Coincidentemente na noite passada estávamos procurando a mesma espécie em um outro local, sem sucesso porém.

Como é de costume da espécie, o ninho estava no chão, em meio a um capinzal denso e próximo a um fragmento florestal. Chegamos próximo do ninho e não encontramos o adulto, mas o filhote estava lá, bem escondido no meio da vegetação. É pequeno ainda, com cerca de 10 a 15 dias de vida apenas. Rapidamente saímos do local. Nunca se deve mecher em um ninho por vários fatores, mas principalmente o estresse ao filhote e também a exposição do ninho para predadores. Quanto mais se meche em um ninho, menores são as chances de sobrevivência do vulnerável filhote.  Com aves de rapina grandes como essa existe também a preocupação e possibilidade real de ser atacado por um dos pais. E ser atacado por um coruja com garras daquele tamanho não estava nos nossos planos.

Chegamos com o sol ainda bem alto e, como previsto, não encontramos os adultos nas árvores próximas. Fomos fotografar algumas outras aves na região enquanto esperávamos o melhor horário. Voltamos no final do dia e não demorou muito vimos o primeiro movimento, uma ave grande deu um apito alto e saiu voando de dentro do fragmento florestal. Logo ela pousou em um bambu próximo ao ninho, checou o ninho rapidamente e iniciou a caçar, logo com a companhia do macho, que estava escondido em um outro lugar atrás de nós. Vimos cenas maravilhosas, com direito à coruja caçando um rato e ouvir os gritos desesperados do roedor.

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Fiz a foto acima ainda com um pouquinho de luz do dia. É muito raro ver corujas grandes de dia aqui no Brasil, então quis aproveitar a situação, apesar dela estar bem longe ainda, pousada na borda da mata. Fiz a foto com camera Nikon D200, lente Nikkor 600mm f/4-AF-S, 1/6 – f/5, ISO 500. Pra disparar a uma velocidade tão baixa com a 600mm foi necessário usar o cabo remoto e mirror lock up, caso contrário seria impossível conseguir uma boa nitidez. Eu gostei dessa foto, mostra a coruja no ambiente dela, bem imponente, a dona do pedaço. Nesse tamanho na tela não dá pra ver muitos detalhes, mas impressa grande vai ficar legal.

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Ao cair a noite elas ficaram mais à vontade e se aproximaram bem, permitindo fotos como essa. Não exageramos, logo deixamos o local e as corujas em paz. Em breve tem mais!

É interessante notar ao longo do ano as diferenças que vão ocorrendo nos nossos jardins . Árvores frutíferas, flores, ninhos, aves migratórias, etc. Com um pouco de paciência nosso próprio jardim pode render fotos boas. Aqui em casa tem dois abacateiros, um deles as frutas só estão maduras agora, o que vem atraindo algumas aves, em especial sabiás e pica-paus. Já os sanhaços não gostam de abacate…

Com alguma paciência consigo fotos boas, como essa abaixo de um pica-pau-do-campo (Colaptes campestris). Essa é a fêmea, o macho possui uma faixa malar vermelha. A luz difusa pelo céu nublado ficou ótima aqui.

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Os sabiás-poca (Turdus amaurochalinus), sempre ariscos, parecem gostar mais de abacate do que o sabiá-barranco (Turdus leucomelas).

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De noite alguns outros animais tem visitado o bebedouro de beija-flor – os morcegos. Eles andam em bando e “atacam” o bebedouro em grande número. Nunca tinha notado tantos quanto estou vendo agora. Não sei dizer que espécie é…

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A fotografia não é que nem um video. Ela fica presa àquele momento, geralmente uma fração de segundos. Nessa fração de segundo você pode fazer uma foto sem maiores significados, um mero registro, ou uma que conte uma história, que diga alguma coisa, que desperte a curiosidade do expectador. Pode ter certeza que a segunda categoria é muito mais difícil.

Nessa foto abaixo de um flautim (Schiffornis virescens), eu poderia muito bem e facilmente iluminar a cena escura com flash. Ficaria uma foto bem exposta (embora chapada) de um flautim… uma foto que não iria dizer muita coisa. Pra completar eu poderia cortar pra dar mais ênfase no pássaro, e aí sim, iria criar mais um clone, como tantas outras fotos por aí pelos Flickrs da vida. Mas não, decidi não usar flash pra mostrar exatamente o ambiente escuro do interior de florestas densas que essa espécie habita e a natureza meio “esquiva” dela, como querendo dizer “se vc não procurar bem, não vai me achar”. O raio de sol pegando bem no olho da ave foi o que completou e “fez” a foto, é um detalhe sutil e preciso. Mas tecnicamente tem muita coisa errada aí. Está extremamente poluída e, em sua maior parte, subexposta. Mas eu estou me lixando pro “tecnicamente” (e você deveria tbm!). Essa foto conta uma história com muito mais sucesso do que uma foto do pássaro em si, chapada com flash e recortada . Fiz essa foto na Reserva Guainumbi, em São Luis do Paraitinga.

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Essa outra eu fiz em Floripa, de um bando de trinta-réis-anão (Sternula superciliaris). Peguei o momento que o bando atacava, em frenesi, um “cardume” de camarões. A história que essa foto conta é mais direta que a história que a foto do flautim conta. Não há dúvidas do que acontece aqui, ela simplesmente conta a história mas não dá muitas aberturas pra uma curiosidade ou um pensamento mais profundo por parte do expectador, portanto, apesar de ser uma foto boa, tem menos sucesso que a foto acima.

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 Moral da história, quando possível procure nas suas fotos um algo a mais do que um simples registro, uma armadilha muito comum principalmente em fotos de aves.

Inverno chegando, faz aquele friozinho a noite… cada um se aquece como pode. Esse bando de anus-pretos (Crotophaga ani) sabem bem disso e ficam bem juntos uns aos outros, já se preparando pra noite fria que vem pela frente. Mas coitado dos dois que ficam nas pontas…. 

O  anu é um bicho bem feioso, mas nessa foto não ficaram bonitinhos?

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Fotografado com Nikon D200, Nikkor 600mm f/4 + TC 1.4x.

A luz certa para o assunto é, de longe, o fator mais importante pra uma boa fotografia. Todos os outros fatores vem em um distante 2º lugar. Não importa se você tem equipamentos de última geração, se o assunto é fantástico ou quão bom fotógrafo você é…. a verdade é que se a luz estiver ruim para aquele assunto, a foto também vai ficar ruim.

Mas também não existe uma definição de luz boa e luz ruim, isso depende muito daquilo que você quer passar na foto, do assunto, etc. Mas, normalmente, para a maioria dos assuntos, é preferível uma luz vinda meio de lado ao invés de cima. Isso significa evitar fotografar com o sol alto, pois o contraste é muito forte e a luz vai chapar o assunto. Uma luz de lado vai “contornar” o assunto, deixando mais nítido para quem observa os detalhes em suas formas.

Repare na foto abaixo, é uma foto ruim de um carcará. O sol, apesar de estar baixo (era umas 8 da manhã aí)  estava  atrás dele, deixando o céu atrás todo branco e o assunto sem contraste e sem muitos detalhes. Trabalhar a silhueta também não era o caso, pois ela não era tão interessante assim… a solução foi simplesmente mudar de lugar, pra pegar o sol batendo na ave. Contornei a ave lentamente e fazendo um arco distante pra que ela não voasse. 

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Deu certo, e o resultado você vê abaixo. Muito melhor né? Só pra ilustrar como uma imagem pode mudar drasticamente a partir do momento que conseguimos a luz certa para ela. Moral da história: antes de se preocupar com noise, bokeh, difração, aberração cromática e etc, estude a luz. Ela é muito mais importante na obtenção de boas fotos do que um monte de detalhes técnicos, e essa é uma verdade que nunca vai mudar…

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Com certeza muita gente olhou a foto acima e pensou: “foto ruim, está muito tremida!”. Não, eu não quero que você goste da foto, eu mesmo a considero apenas uma foto razoável. O que quero mostrar é que muitas vezes as pessoas, principalmente fotógrafos novatos, vêm com idéias e gostos pré-concebidos, algo que eles leram em uma revista ou guia de fotografia e usam como se existisse algum tipo de regra pra esse tipo de coisa. Com o tempo se percebe que não existem regras. A fotografia é uma forma de capturar e mostrar aquele momento, a sensação do momento através dos olhos do fotógrafo. Deixo as regras mais rígidas para a fotografia documental tipo fotojornalismo. De resto, vale a expressão do fotógrafo, o que ele quer mostrar com aquela foto. Se você se ater muito às regras, você vai apenas estar limitando a sua criatividade. Fotografar é escrever com a luz, é mostrar o que você sente, e não apenas registrar um momento ou animal dentro daquilo que se julga “tecnicamente correto”.

Enfim, fiz essa foto ontem. Estava fotografando em um lago próximo e, enquanto havia sol, fiz algumas fotos “tradicionais” de aves em vôo, como essa abaixo, com a ave devidamente congelada. No entanto esse bonito sol iluminando as aves logo se escondeu atrás das árvores e na sombra eu simplesmente não estava conseguindo congelar as aves. Aí sim, as fotos estavam ficando tremidas. Ao invés de guardar as coisas e ir pra casa, eu abaixei o ISO, fechei a abertura e fiz algumas fotos pra pegar o movimento das aves, com o intuito de mostrar a velociade e o bater das asas. E como voam rápido esses bichos! O segredo é acompanhar o movimento das aves da forma mais suave possível, assim a água abaixo vai ficar lisinha, aumentando a sensação de velocidade. Facilita se usar um tripé. Um corte meio panoramico também vai aumentar a sensação de velocidade e movimento.

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Qual foto achei mais interessante no dia? Com certeza a primeira. Ah, a espécie é o comum biguá (Phalacrocorax brasilianus), que possui nome que remete ao Brasil, embora sejam encontrados em uma área enorme que vai desde o sul dos EUA até a pontinha austral da América do Sul.

A foto aérea abaixo foi feita em Florianópolis, na praia de Jurerê. É um bom exemplo de como a inclusão de um único objeto ativo dá uma força extra na cena. No caso esse objeto é o barco. Sem ele a foto ficaria vazia, sem sensação de movimento, de vida. O barco nessa cena fez toda a diferença entre uma boa foto e uma foto apenas regular. Na próxima vez que estiver fotografando alguma cena, em especial paisagens, pare pra pensar o que poderia ser feito para adicionar drama e vida na cena? Caso contrário pode ficar apenas uma foto do cenário, mas sem os protagonistas. Muitas vezes você precisa contar com um pouco de sorte ou paciência, mas muitas outras você mesmo pode improvisar. Por exemplo em muitas cenas de paisagem fica ótimo uma presença humana num canto da foto, dá noção de tamanho, de lugar. Essa presença humana pode ser você mesmo, já fiz isso muitas vezes. Apenas tome cuidado para não desviar a atenção: o assunto principal da foto é a cena em si, e não esse detalhe a mais. O detalhe deve apenas ajudar a contar uma história, a contextualizar a cena.

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Nessa outra foto do mesmo local o barco estava indo em direção contrária, entrando na foto. Leva o observador a “viajar” pra dentro da cena.

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Aqui no jardim de casa volta e meia eu sempre via um casal de corujinhas-do-mato (Megascops choliba), uma espécie relativamente comum em áreas bem arborizadas, e de hábitos estritamente noturnos. Essa semana resolvi fazer uma foto especial dela e passei alguns dias atraindo ela, ganhando a confiança. Aliás em breve vou ministrar um workshop de playback para atração de aves para fotografia, mas aí é papo pra outro tópico.

Enfim… montei um setup com 3 flashes remotos apontando pra um galho aonde eu queria que ela pousasse. Nos primeiros dias ela pousou em todos os galhos menos no que eu queria, é claro. Ontem no entanto ela se mostrou extremamente confiante. Eu toquei o playback somente alguns segundos e ela logo apareceu, pousando de cara no lugar certinho, o que rendeu a foto abaixo:

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Depois ela vôou. Procurei nos galhos próximo e não achei… vi de relance na luz da lua algo em cima de um dos flashes… era ela! Ficou pousada alí em cima do flash uns 15 minutos, me permitindo inclusive uma aproximação incrível, coisa de menos de um metro dela. Na maior parte do tempo ela simplesmente ignorou que eu estava alí. Deu pra fazer uns closes legais.

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Senti que ela está perdendo o medo de mim… vou tentar estreitar essa nova amizade. Não perca os próximos capítulos, hehe..

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