Publicado por: campossallesfotografia | 02/11/2009

Regrinhas básicas do trabalho de fotografia

Dicas interessantes (e importantes!) publicadas no blog do Fotosalada. Eu adaptei alguns detalhes pois o original era mais voltado pro mercado de design gráfico (Tbm apaguei algumas que não tem muito a ver com fotografia).

1) “Faça esse trabalho barato (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor”
Nenhum profissional que se preze daria seu trabalho de mãos beijadas na esperança de cobrar mais caro mais tarde. Você consegue imaginar o que um advogado diria se você dissesse “me defenda de graça dessa vez que na próxima vez que eu precisar de um advogado eu te chamo e pago melhor”. Ele com certeza riria da sua cara.

2) “Nós nunca pagamos 1 centavo antes de ver o produto final”
Essa é uma pegadinha. A partir do momento que você foi contratado para fazer o trabalho você DEVE pedir uma entrada ou entregar as fotos em alta resolução após o pagamento (a não ser é claro que seja um cliente antigo e frequente, e que já possui uma certa rotina de pagamentos pra você). O motivo é simples, você está trabalhando desde o momento que se dispõe a fazer a reunião de briefing e planejamento do trabalho. Uma vez que você já entregou o material, alguns clientes podem não ter tanta pressa assim em te pagar. Adivinhe quem ficou no prejuízo?

3) “Esse trabalho será ótimo para seu portfolio! Depois desse você vai conseguir muitos outros”
Essa é uma das mais típicas. E costuma fazer vítimas principalmente entre jovens que estão iniciando. Para não cair nessa, basta pensar “quanto o seu cliente vai faturar com o seu trabalho?”. Além disso, não esqueça que, mesmo que ele indique seu trabalho para outras empresas, com certeza ele dirá quanto custou (ou se foi de graça) e imagine o que os próximos irão querer? E tem mais, ao entrar em contato com vc significa que ele gosta de seu trabalho/foto. Ele não está te fazendo um favor, ele te procurou por opção própria. Basta você decidir se vai ser o “bobinho” que dá fotos de graça ou não.

4) “Veja, o job não foi cancelado, somente adiado. Deixe a conta aberta e continuaremos dentro de um mês ou dois”
Provavelmente não. Seria um erro você não faturar o que foi feito até o momento esperando que o trabalho continue depois. Ligue em dois meses e você verá que alguém estará trabalhando no job. E adivinhe! Eles nem ao menos sabem quem você é… e o dinheiro do início do trabalho, lógico, já era!

5) “CONTRATO?? Nós não precisamos assinar contratos! Não estamos entre amigos?”
Sim, estamos. Até que alguma coisa dê errada ou ocorra um mal-entendido, e você se transforme no meu maior inimigo e eu sou o seu “fotógrafo estúpido”, aí o contrato é essencial! Simples assim! Ao menos que você não ligue em não ser pago. Qualquer profissional usa um contrato para definir como será o trabalho e você deve fazê-lo também!

6 ) “O último fotógrafo fez esse job por XX reais”
Isso é irrelevante. Se o último fotógrafo era tão bom por que ele te chamou? E quanto o outro cobrava não significa nada pra você. Pessoas que cobram muito pouco pelo seu tempo acabam fadadas ao insucesso (por auto-destruição financeira). Faça um preço justo, ofereça no máximo 5% de desconto e não abra mão disso. Não sabe o quanto cobrar por uma foto? Esse site é um bom começo: Photo ShowCase (Brasil).

7) “Nosso orçamento para esse job é de XX reais”
Interessante, não? Um cara sai para comprar um carro e sabe exatamente quanto ele vai gastar antes mesmo de fazer uma pesquisa. Uma quantia de trabalho custa uma quantia de dinheiro. Se seu cliente tem menos dinheiro e ainda assim você quer pegar o trabalho, dedique menos horas a ele ou restrinja a licença de uso. Deixe isso bem claro ao seu cliente.  A escolha é de ambos.

8 ) “Estamos com problemas financeiros. Passe o trabalho para nós e, quando estivermos em melhor situação, te pagamos.”
Claro, mas pode contar que, quando o dinheiro chegar, você estará bem lá no final da lista de pagamentos. Se alguém chega ao ponto de admitir que está com problemas financeiros então provavelmente o problema é bem maior do que parece. Além disso, você por acaso é um banco para fazer empréstimos? Se você quer arriscar, pelo menos peça dinheiro adicional pelo tempo de espera. Um banco faz isso, não faz? Por que provavelmente esse é o motivo deles quererem atrasar seu pagamento, ter 6 meses de dinheiro “emprestado” sem ter que pagar juros, o que não aconteceria se ele tivesse que emprestar do banco. Não jogue dinheiro fora!

Publicado por: campossallesfotografia | 29/10/2009

Albatrozes na praia? Acredite se quiser…

Na viagem pra Lagoa do Peixe eu e o Guilherme Ortiz fizemos um registro bem interessante e improvável… vimos dezenas de albatrozes e petréis voando a algumas centenas de metros da praia! Pra quem não sabe essas são aves estritamente oceãnicas, no Brasil só são vistas várias milhas pra fora. Por exemplo mês passado durante uma pescaria em alto-mar só começamos a ver os albatrozes a 30 milhas da costa! Portanto ver essas aves enormes e fantásticas assim pertinho da praia é algo raríssimo!

Nesse dia na Lagoa do Peixe estava ventando NE bem forte, o que com certeza contribuiu pra aproximação dessas aves. Fiz algumas fotos só pra comprovar o registro mesmo, pois permaneceram longe, seguindo dois barcos pesqueiros. Aproximando bastante a foto dá pra especular quais espécies eram: albatroz-de-nariz-amarelo-do-atlantico (Thalassarche chlororhynchos) e jovens de petrel-gigante-do-sul (Macronectes giganteus). Esse albatroz eu vi também durante a pescaria. Nessa época do ano, com as águas esquentando, essa é a espécie mais comum em águas brasileiras. Durante o inverno a mais comum é o albatroz-de-sombrancelha (Thalassarche melanophris).

O albatroz-de-nariz-amarelo nidifica nas ilhas Tristão da Cunha, mais ou menos no meio do caminho entre a África do Sul e o Brasil. É muita água!

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A visão geral, sem crop. Dá pra ver as aves além da arrebentação.

albatroz

petrel

Publicado por: campossallesfotografia | 28/10/2009

Novo guia de aves do Brasil… finalmente!!

Foi lançado o tão esperado “A Field Guide to the Birds of Brazil”, de Ber van Perlo, um guia com todas as espécies de aves do Brasil, atualizado com novas descobertas e splits. Os primeiros reviews no Amazon.com são bons. Parece que têm várias ilustrações de subespécies com plumagens diferentes além de textos com notinhas explicativas ao lado de cada espécie, tipo de habitat, canto, etc. Gosto muito desses textos, dão dicas super importantes de identificação.

As reclamações vem do tamanho do livro, que dizem ser um pouco grande pra uso em campo (como fazer um livro pequeno com mais de 1.800 aves!)… e alguns reclamam das ilustrações tbm, que não são nenhuma obra de arte. Mas, a julgar pela ilustração na capa, melhor do que a gente tem aí com certeza deve ser…

Publicado por: campossallesfotografia | 26/10/2009

Como fiz: Arapaçu-liso

Nikon D200, Nikkor 600mm f/4 AF-S. 1/40 @ f/5, ISO 500, foco manual

Nikon D200, Nikkor 600mm f/4 AF-S. 1/40 @ f/5, ISO 500, foco manual

Fiz essa foto no Parque do Zizo, em uma trilha pequena que sai do início da trilha do Ouro Fino, bem pertinho da sede do parque, durante uma matéria pra revista Eurobike. Encontrei uma grande correição de formigas Eciton e, como sempre, as aves que seguem as formigas. Tinha juruva-verde (Baryphthengus ruficapillus), tiê-de-topete (Trichothraupis melanops) e os seguidores profissionais olho-de-fogo-do-sul (Pyriglena leucoptera) e o arapaçu-liso (Dendrocincla turdina), entre outros.

A atividade de aves era grande, e algumas chegavam bem perto no frenesí pra capturar algum inseto fugindo das formigas. Notei que os arapaçus (tinham vários, no mínimo uns 6 ou 7) sempre pousavam em troncos verticais e ficavam parados um bom tempo, observando o solo pra em seguida voar e capturar a presa. Sabendo disso foquei num tronco bem bonito, com diversas bromélias e musgos e esperei. Os arapaçus pousavam em todos os galhos a minha volta menos naquele que eu queria. Não tinha muito tempo pois as formigas estavam cada vez mais próximas e dentro de uns 2 minutos eu teria que sair dali, caso contrário as formigas íam me atacar.

Finalmente um arapaçu pousou no lugar certinho. Como a velocidade era bem lenta usei cabo disparador e bati várias fotos. Não usei flash. Gostei bastante do resultado.

Publicado por: campossallesfotografia | 24/10/2009

Galeria da Lagoa do Peixe no ar

Hoje coloquei no ar no meu site a galeria com algumas fotos da Lagoa do Peixe. Dê uma olhada!

www.octaviosalles.com.br

Publicado por: campossallesfotografia | 23/10/2009

Popularizar o birdwatching?

Hoje recebi na lista de e-mail do grupo birdwatchingbr-campinas um e-mail da Viviane Pigatto mostrando uma notícia interessante… um passarinho Phylloscopus coronatus, obviamente muito raro na Europa, foi visto na Inglaterra e atraiu uma verdadeira multidão! Acho que tantas cameras assim só em final de Copa do Mundo!

 

Tudo bem que a gente luta pra popularizar a observação de aves no Brasil, mas como está aí em cima já é demais! hehe.. Eu certamente não queria estar aí no meio! Será que quando acharem um Calyptura cristata vai ser a mesma coisa aqui?

Fonte: Blog do Globo Rural

Publicado por: campossallesfotografia | 21/10/2009

Ground Pod

 

Não, isso não é um novo modelo de iPod. Ground Pod é um suporte de câmera/lente que fica na altura do chão. É muito útil pra fotografar aves, especialmente em praias e outros lugares abertos, aonde você pode deitar no chão. São duas as principais vantagens:

- Você fica na mesma altura da ave, e a foto fica quase sempre melhor. Toda foto de cima pra baixo tem aquela cara meio amadora, de um fotógrafo que não quis se esforçar muito pra fazer a foto, simplesmente pegou a câmera e bateu. Ficando na altura do chão você também melhora o plano de fundo, que fica distante e mais homogêneo.

- Quando você está deitado no chão as aves ficam muito menos desconfiadas e aos poucos vão se aproximando. Elas estão acostumadas a fugir de pessoas andando. Deitado você é uma figura nova, muito menos ameaçadora.

Usei muito essa técnica na Lagoa do Peixe, pois foi a única forma que consegui de me aproximar bastante das aves limícolas, que eram bem ariscas.

Repare nos maçaricos na beira da água. Nessa hora fiz a foto abaixo.

Repare nos maçaricos na beira da água. Nessa hora fiz a foto abaixo.

Maçarico-branco (Calidris alba)
Maçarico-branco (Calidris alba)

Pra ficar deitado assim na areia é bom tomar algumas precauções: use uma boa jaqueta e se possível calça impermeável (de verdade, aquelas grossas), pois frequentemente temos que deitar em areia molhada ou lama…. leve no bolso uma bombinha de ar (aka fuck-fuck) pra assoprar de vez em quando os grãos de areia que invariavelmente vão parar em todos os buraquinhos da sua câmera.

 
Batuíra-de-coleira (Charadrius collaris), espécie arisca de apenas 15cm. Chegou tão perto que em alguns momentos nem consegui focar.

Batuíra-de-coleira (Charadrius collaris), espécie arisca de apenas 15cm. Chegou tão perto que em alguns momentos nem consegui focar.

 Existe um ótimo ground pod feito por uma empresa nos EUA, o Skimmer II, só que custa US$ 100 mais impostos. Preferi fazer o meu, que saiu menos de R$ 30,00.

1) Compre uma frigideira de cerca de 20cm de diâmetro.

2) Retire o cabo. Talvez fique uma armação pequena, que é rebitado na frigideira. Se não atrapalhar pode deixar lá.

3) Compre um parafuso sem ponta (rosca) e com cabeça chata. O parafuso deve ser da bitola usada em tripés. Existe um tamanho padrão. Pode ser curto, coisa de 4 cm é suficiente.

4) Faça um furo exatamente no meio da frigideira. O furo deve ser mais largo que a rosca para que a cabeça do parafuso embaixo da frigideira fique quase rente. Se ficar muito pra fora vai ser difícil movimentar na areia. Portanto o parafuso deve ficar bem frouxou no furo. Esse furo é melhor levar pra alguem com maquinário mais pesado fazer. Eu levei num chaveiro, rapidinho.

 5) Corte uma madeira em cilindro, com uma serra-copo. Essa madeira deve ser um pouco mais larga que o diâmetro da cabeça de tripé que você for usar. No meu caso fiz com 5 cm de diâmetro e 2,5cm de altura.

6) Com uma furadeira faça um furo no meio da madeira, usando uma broca um pouco mais fina que o parafuso.

7) Force a entrada do parafuso no furo na madeira, assim ele vai ficar mais firme. No final aperte bem, fixando tanto o parafuso quanto a madeira no lugar. Está pronto.

Ground Pod feito em casa

Ground Pod feito em casa

 

Parte de baixo, com a cabeça do parafuso bem renta na frigideira.

Parte de baixo, com a cabeça do parafuso bem rente na frigideira.

Com a cabeça do tripé instalada. Para lentes pesadas, tipo 500 ou 600mm recomendo uma cabeça do tipo gimbal, como na foto. Para lentes mais leves pode usar ballheads normais.

Com a cabeça do tripé instalada. Para lentes pesadas, tipo 500 ou 600mm recomendo uma cabeça do tipo gimbal, como na foto. Para lentes mais leves pode usar ballheads normais.

Publicado por: campossallesfotografia | 18/10/2009

Fotos na Terra da Gente

Esse mês sairam duas fotos minhas na revista Terra da Gente , ambas de um caburé (Glaucidium brasilianum), não percam!

Publicado por: campossallesfotografia | 15/10/2009

Sonho de consumo

Todo fotógrafo de aves tem os seus “sonhos de consumo”, aquelas espécies ou situações que gostariamos muito de fotografar um dia. Na Lagoa do Peixe eu pude realizar um desses sonhos, embora considere apenas em parte, pois a foto não ficou grande coisa. No caso o sonho era esse mergulhão-de-orelha-branca (Rollandia rolland) em plumagem reprodutiva. Avistamos um grupo familiar de cerca de 8 aves nas águas aberta da Lagoa do Peixe. Mas como são ariscos! Não permitem aproximação. Tive que entrar na água pra fazer essa foto, e esperar mais de meia hora (ainda bem que levei meus waders de pesca de fly, pois a água estava bem fria!). Aos poucos eles foram se aproximando mas sempre mantendo uma distância segura. O plano era voltar lá no dia seguinte e esperar num esconderijo improvisado, mas não deu certo pois o tempo fechou de vez e tivemos que voltar pra casa. Então por enquanto vou ter que me contentar com essa foto… mas vai ter volta! Na distância, lá no meio do lago, também vimos mergulhões-grandes (Podicephorus major), outro bicho espetacular.

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Enquanto estava esperando também passaram essas duas marrecas-pardas (Anas georgica). Ficaram diferentes no meio dessa água agitada.

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Publicado por: campossallesfotografia | 11/10/2009

Estamos de volta…

Vocês devem ter notado a falta de posts na semana passada né? É que eu estava viajando com o Guilherme Ortiz pro Parque Nacional da Lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul. Lugar muito diferente do que estou mais acostumado. Ventos fortes e gelados, praia infinita, deserto alagado, carona pra repentista, tempestade de dar medo, areia em todos os cantos, água pra todo lado, bar do Xicho, luz mágica no final da tarde, arroz com carne moída, iPod perdido, “barrinhas meio rebeldes”, poças d’água traiçoeiras, solavancos na areia, gente hospitaleira, Ronaldinha Gaúcha, ondas enormes, chuva num minuto, sol no outro, estrada esburacada, desvio a direita, desvio a esquerda… e o mais importante… aves pra todos os lados. Faria tudo de novo agora.

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Mais fotos e histórias nos próximos dias.

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